A caixa d´água da Fonte do Senhor

Até meados do Século XIX, o povo de Iguape buscava água diretamente na Fonte do Senhor, também chamada de “Fonte de Cima”. Houve um tempo, em fins do Século XVIII, em que chegou um ouvidor, o qual, atendendo aos reclamos da população, ordenou a construção de um aqueduto que trouxesse a água para mais perto da vila. Em 14 de abril de 1847, o vereador Antônio José Pinto apresentou um projeto, para que a água da Fonte fosse encanada e construída uma caixa d’água no final do antigo aqueduto, com quatro bicas de ferro, ficando um registro fechado para encher de água a caixa da Gruta do Senhor quando fosse preciso, passando esse encanamento pela frente da gruta. O próprio vereador foi até a fonte, acompanhado do cidadão Manoel José Correa, tendo ambos observado que “a agoa podia vir encanada em tubos ou telhões e coberto desde o lugar do morro onde era tomada até aquelle lugar em que deve servir ao publico”[…]

Dessa forma, parte do Aqueduto, que havia desmoronado, deveria ser reconstruído. Essa despesa foi orçada em 600$000 (seiscentos mil réis) para cal, pedra, tijolo e mão-de-obra. A Câmara aprovou a idéia e deu prioridade à obra, decidindo que nenhuma outra seria iniciada enquanto a canalização da água da fonte não fosse concluída, o que deveria acontecer até outubro de 1848, conforme contrato assinado com Manoel José Correa, que ficou como encarregado. No dia 26 de fevereiro de 1848 foi terminada e inaugurada pela Câmara para uso público dos habitantes da vila. O preço total da obra ficou em 650$000 (seiscentos e cinquenta mil réis). Essa caixa d’água, após concluída, devido à sua forma bojuda, era chamada pelo povo iguapense de “Locomotiva”. Foi construída com a frente para o Mar Pequeno e, durante mais de cem anos, abasteceu a população da cidade, sendo afinal demolida pela prefeitura em 1976, juntamente com o aqueduto, perdendo-se para sempre dois monumentos de incontestável valor histórico.

 

CRÉDITOS: Luciano FaustinoAcesse o Blog “História de Iguape”

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *