A CARRUAGEM DO LARGO DA MATRIZ

Ao tempo em que não existia iluminação elétrica na cidade, quando as casas e largos eram iluminados pela luz bruxuleante dos lampiões a querosene, contam que era freqüente ouvirem-se ruídos como um arrastar de correntes ou coisa parecida. Ninguém se atrevia a abrir as janelas para ver do que se tratava. Segundo a lenda, em noites de Lua Cheia, uma vistosa carruagem puxada por quatro fogosos cavalos brancos saía do Porto do Ribeira, e, passando pela margem do Valo Grande, entrava triunfal no Largo da Matriz, de onde se dirigia a Porcina, ruínas de uma antiga imponente fazenda de arroz.

Contam que uma família muito rica mandou que fosse levado, na calada da noite, em sua carruagem, um grande tacho de moedas de ouro para ser escondido em seu terreno na fazenda Porcina, onde permaneceria oculta até que sua única filha atingisse a maioridade. Não passou muito tempo, uma grave doença matou toda a família do rico fazendeiro, sem que a filha soubesse da grande fortuna a ela destinada.

Garante a tradição que, até poucas décadas atrás, no mesmo horário do carregamento das moedas de ouro, sob a claridade do luar, passava pelo mesmo itinerário uma carruagem como querendo indicar a alguém o caminho até onde está enterrado o ouro e, assim, dar o merecido descanso à alma da infeliz jovem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *