A construção da Gruta do Senhor

No dia 1 de dezembro de 1737, a Câmara de Iguape confiou ao capitão João Pereira do Vale, pelo preço de 190 mil réis, as obras de uma “casa de abóbada” na Fonte do Senhor, destinada ao abastecimento público de água na Vila, e mais a construção de um pelourinho, à época o símbolo da Justiça. Essa “casa abobadada” é a “Gruta do Senhor”, que foi construída sobre a pedra na qual, reza a tradição, lavou-se a imagem do Senhor Bom Jesus de Iguape para lhe ser retirado o salitre do mar, no ano de 1647. Essa casa foi construída de pedra e cal e possuía dois canos e um tanque no lado de fora para lavagem de roupa, sendo feita de modo que a água corresse sempre para fora da gruta, na direção de onde corria o Rio Ribeira. Protegia a gruta uma resistente porta de ferro.

O capitão Vale comprometeu-se a entregar as duas obras até a Festa de Agosto do ano seguinte, as quais foram concluídas no mês de junho de 1738, e existe notícias de apenas dois consertos desde sua construção até o ano de 1890, na ocasião de estar na Vila de Iguape o Ouvidor-Geral, no dia 15 de março de 1740, juntamente com vereadores, fizeram uma vistoria na referida gruta, como consta no livro de Provisões do Ouvidor, citado no documento n° 14, como também, estando a porta da gruta arrombada, a Câmara no dia 8 de agosto de 1757 mandou consertá-la, ainda mais porque a “casinha” estava assentada sobre a pedra na qual fora lavado o Santo de Iguape. Determinou também que, como a intenção “dos Devotos que aqui chegão he tirar pequenas partes della, seria prudente que a chave estivesse sempre a disposição do Procurador da Irmandade do Senhor para satisfazer a requizição dos Devotos, recomendando não consinta que alli se lave ninguém, afim de não se perder uma devoção tão conhecida e arraigada no coração dos fiéis”. A “Gruta do Senhor” é um monumento de forma hemisférica, ostentando no alto de sua cúpula, uma cruz de ferro, tendo uma porta que dá entrada ao seu interior, situado em plano inferior ao nível do solo, por onde se desce através de uma pequena escada de granito. Todos os anos afluem à Gruta milhares de romeiros que vão extrair lascas da pedra que, segundo afirmam, possuem poderes milagrosos.

De acordo como a crendice popular, por mais que se retirem lascas, a pedra continua do mesmo tamanho; e, ainda, colocando-se uma lasca num filtro, ela cresce com o tempo. É a lenda da “pedra-que-cresce”, que intrigou até o grande escritor Albert Camus, Prêmio Nobel de Literatura, ao visitar a cidade de Iguape no mês de agosto do ano de 1949, acompanhado de Oswald de Andrade, Paul Silvestre, adido cultural francês, e Rudá de Andrade, filho de Oswald, além do motorista, cujo nome não foi citado, mas que foi apelidado por Camus, de Augusto Comte, por parecer com o filófoso francês.

CRÉDITOS: Luciano FaustinoAcesse o Blog “História de Iguape”

 

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