Desastre ambiental pode atingir berçário marinho de Cananéia, alerta pesquisa do Valo Grande e Mar Pequeno

Presidente do Comitê da Bacia, Décio Ventura, afirmou que não há mais tempo a perder. “Não podemos assistir a degradação de nosso estuário. Os trabalhos técnicos estão feitos. Precisamos agora trabalhar pela decisão de instalar as comportas para sairmos da mesmice”, alertou.

Iguape- O presidente do Comitê da Bacia do Ribeira, Décio Ventura, prefeito da Ilha Comprida, afirmou que os resultados do projeto “Sistematização de base de dados ambientais do complexo estuarino lagunar de Iguape-Cananéia” serão encaminhados aos órgãos ambientais para a obtenção do licenciamento da instalação de comportas na barragem do Valo Grande. Os estudos científicos, apresentados na quinta 26/05, em Iguape, foram conclusivos ao apontar a urgente necessidade de se instalar as comportas. Mais: alertaram para riscos de comprometimento irreversível do berçário marinho de Cananéia.

Para o presidente do Comitê, “já passou da hora de se resolver a questão para que se possa ter um novo cenário novo de desenvolvimento regional e não de degradação ambiental”. “Precisamos planejar o nosso futuro com perspectivas promissoras , não podemos assistir à deterioração do nosso estuário, um dos mais importantes do mundo”, disse.

Em sua opinião, a região já efetuou sua soma de estudos: “Os trabalhos técnicos estão feitos. Precisamos agora trabalhar pela decisão de instalar as comportas para sairmos da mesmice. Teremos a volta da pesca, o fortalecimento do turismo, o desassoreamento natural do Ribeira, o controle de cheias e todas as perspectivas de desenvolvimento que nos foi negada nos últimos trinta anos”.

Mar Pequeno é Rio Grande

O consultor do projeto, o professor Alfredo Martins – livre docente de Biologia Marinha da USP- afirmou que a descaracterização do estuário é tamanha que o Mar Pequeno já pode ser chamado de Rio Grande. “Não é mar, não tem mais característica de estuário. A água, em muitos pontos, tem salinidade zero. Água com salinidade zero é água doce, é rio”, lamentou. Segundo ele, o resultado é um desastre ambiental com o desaparecimento de muitas espécies da fauna marinha que se alimentavam no estuário.

Para o professor, a situação é critica e pode comprometer, inclusive, o estuário de Cananéia, que é um santuário da fauna marinha. “Tirando bagres e outras poucas espécies resistentes, não tem mais peixes no “rio grande”. O professor chamou a atenção da comunidade para se unir , “espernear” e “gritar” pela adoção de providências, antes que seja tarde demais.

Em sua apresentação, o coordenador do projeto, o professor Paolo Alfredini, apontou estatísticas científicas para destacar a necessidade de instalação das comportas na barragem: “Está muito claro para todos que, no momento em que se colocam as comportas que controlam o fluxo das águas, pode-se optar por deixá-la bloqueada, aberta e pode se ter um controle parcial inteligente para compatibilizar o interesse de todos: vantagem para a agricultura, a pesca, controle de inundações e o meio ambiente”. Segundo ele, a decisão pelas comportas permite essa flexibilidade.

Licença para instalação da obra

Para o coordenador, o projeto apresentado ao Comitê de Bacia atende às exigências dos órgãos ambientais para a instalação da obra. O estudo consolida trinta anos de conhecimentos científicos acumulados e soma-se à mais um ano de pesquisas in loco, comparação de dados, análises das indicações biogeoquímicas, de salinidade,hidrológicos e outros. De acordo com o professor, as comportas , inclusive, operarão naturalmente a autodragagem do rio Ribeira com maior vazão das águas. “O rio vai se alargar e se aprofundar”, afirmou.

A pesquisa foi financiada com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos – FEHIDRO. Acompanharam a apresentação a prefeita de Iguape, Maria Elizabeth Negrão da Silva, vereadores e líderes comunitários.

Fonte: Assessoria de Comunicação – PMIC