FONTE DA SAUDADE

 

Descrição: Num dos contrafortes do Morro da Espia, existia um pequeno regato de águas cristalinas, cuja nascente tinha origem no coração da montanha. Ao lado desse regato havia uma pequena choupana de palha na qual habitavam o valente guerreiro carijó Turuçuçaba (“valor e grandeza”) e sua única filha, a encantadora Porangaba (“beleza e formosura”). A meiga menina era tudo para o destemido guerreiro e valia mais do que a sua própria vida. Porém, num certo dia, o bravo guerreiro foi chamado para a guerra. Antes de partir, o guerreiro deixou com a filha seu arco-e-flecha e seu tacape para que ela pudesse defender sua honra em caso de alguém importuná-la. E, assim, partiu para o combate.. Porangaba passava as manhãs sentada numa pedra à beira do regato e quedava-se a suspirar, tamanha era a saudade que sentia do pai. Passa uma lua, mais outra e muitas outras. E nada de Turuçuçaba retomar. Todos os dias Porangaba subia à montanha e, de cima das árvores, ficava a observar a longa planície na esperança de avistar o pai. Tudo em vão. E assim se passaram os dias e Porangaba cada vez mais se entristecia pela imensa saudade que sentia do pai. Até que um belo dia ouviu troar pelos ares o eco característico de uma inúbia (trombeta de guerra). Porangaba não pode conter a emoção. Tomou do arco e das flechas e correu pelo caminho afora. A uma certa distância, conseguiu avistar o pai, que vinha ao seu encontro. Abraçaram-se emocionados e juraram que nunca mais se separariam. Noutro dia, Porangaba levou o pai até a margem do regato e disse-lhe que, daquele dia em diante, a fonte chamar-se-ia Ig coara xipiaca aúb, que, na tradução do historiador Waldemiro Fortes, quer dizer: “Fonte da Saudade”. Essa fonte contaria aos pósteros a imensa saudade que Porangaba sentiu pelo seu amado pai.

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