Prefeito Décio Ventura denuncia que os miilhares de peixes descartados nas praias por embarcações de parelha evidenciam a falta de legislação na área

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O prefeito Décio Ventura afirma que a pesca de arrasto praticada por embarcações de outros estados no litoral paulista é uma “afronta”  às autoridades ambientais do Estado.

Ilha Comprida –  Mais de oito toneladas de peixes apareceram ao longo dos 74 km de orla da Ilha Comprida nesta semana num dos maiores crimes ambientais cometidos contra a fauna marinha nos últimos anos na região.  Os peixes começaram a aparecer mortos na praia do balneário Viaréggio no sábado 10/01, mas a situação tornou-se crítica na terça-feira 13/01, quando foram avistadas no mar próximos à costa quatorze embarcações de parelha, em plena atividade ilegal.

Direcionada à captura do camarão, a pesca por arrasto é feita com redes de malha fina, tracionadas por motores, que revolvem o fundo do oceano e capturam espécies em fase de desenvolvimento. Em busca apenas do camarão, os pescadores descartam peixes menores lançando-os ao mar já mortos. Apesar da legislação  determinar que eles fiquem a pelo menos duas milhas da costa, muitos são flagrados a cerca de 400 metros da orla, quase na arrebentação das ondas.

Uma dessas embarcações chegou tão perto da costa que deu para identificar seu nome Tubarão K . Entre os peixes mortos, estão espécies como espada, vivoca, betara, robalo, pescada, curvina e outros, além de duas tartarugas verdes.  Para o prefeito Décio Ventura, a pesca de arrasto praticada principalmente por embarcações de outros estados no litoral paulista é uma “afronta”  às autoridades ambientais do Estado.

Preocupado com a questão, o  prefeito acionou os responsáveis pela Apa Marinha Litoral Sul e obteve como resposta que os peixes são descartados em alto mar e, portanto, não há legislação  para coibi-lo.  No entender do prefeito, além do crime ambiental, esse enorme descarte gera  impacto na economia da região com prejuízos para os pescadores locais, para o turismo e para a própria limpeza das praias.

Segundo o prefeito, os Estados do Paraná e Santa Catarina protegem o seu litoral  com recifes artificiais, o que não ocorre no litoral paulista. “Já solicitamos os recifes mas, lamentavelmente, pessoas que se dizem ambientalistas   nos negam esse direito sob os mais absurdos argumentos”.

O técnico da Divisão de Econegócios do município da Ilha Cristian Negrão da Silva  lamentou o  crime ambiental “ altamente prejudicial” ao complexo lagunar estuarino de Ilha Comprida- Iguape- Cananeia, considerado um dos maiores viveiros de espécies marinhas do mundo. Segundo Cristian, todos os maquinários do município e profissionais da Operação Cidade Limpa intensificam o trabalho de limpeza dos peixes nas praias.